Uma noite de música e poesia para continuar a caminhada

Vida, poesia e música. A programação de terça-feira (6) do Gramado In Concert reuniu a simplicidade da música barroca, a melancolia da música eslava, a beleza da música cigana, os retalhos musicais do início do século XX e todo o romantismo de Robert Schumann. Em duo ou quinteto, subiram ao palco da ExpoGramado os irmãos André e Cláudio Micheletti, Gabriel Marin, Emmanuele Baldini, Olinda Allessandrini, Ovanir Buosi e Paulo Bergmann. Essa foi a segunda noite da série “Música de Câmara”.


O concerto iniciou com a peça Dança eslava, Op.72, nº 2, de Anton Dvorak (1841-1904). A canção faz parte de dezesseis peças orquestrais compostas por Anton entre os anos 1878 e 1886, sendo publicadas em dois grupos: Opus 46 e Opus 72. Ambas foram escritas para o piano de quatro mãos, no evento interpretado por Olinda Allessandrini e Paulo Bergmann, e inspiradas nas danças húngaras de Johannes Brahms. A canção também prestou uma homenagem às pessoas que perderam alguém querido para a Covid-19.


A segunda peça apresentada foi Zigeunerweisen (Àrias ciganas) do violinista e compositor espanhol Pablo Sarasate (1844-1908). A obra mais conhecida do artista tem como inspiração os temas ciganos e trechos de algumas “Csárdás”, danças típicas húngaras de tom melancólico.


Em duo, a terceira peça foi interpretada por Olinda Allessandrini no piano e Ovanir Buosi no clarinete. Sendo nomeada de Sonata para clarinete e piano, II Mov. Romanza (Trés calme) e III Mov. Allegro com fuoco (Trés anime) de Francis Poulenc (1899-1963). A peça é uma homenagem do compositor ao seu amigo Arthur Honegger e marca um projeto de sonatas para instrumentos de vento iniciado, mas sem conclusão devido a morte de Poulenc.


Em seguida, a peça apresentada foi Sonata, Op.3, nº3 em C maior para dois violinos, I Mov. Adágio, Vivace, de Jean-Marie Léclair (1697-1764). Quem interpretou a obra foi Cláudio Micheletti e Emmanuele Baldini. Nesse momento, foi possível observar os retalhos musicais típicos do início do século XX, onde a nobreza e a elite comandavam a música.


Encerrando o quarto dia de Gramado In Concert, André e Cláudio Micheletti, Emmanuele Baldini, Gabriel Marin e Olinda Allessandrini, trouxeram um tom romântico para a noite ao interpretar a obra Quinteto com piano, Op.44, I Mov. Allegro Brillante, de Robert Schumann (1810-1856). Esta é considerada uma das melhores obras do artista e é símbolo de inovação, visto que é um dos poucos quintetos para piano e cordas. Até então, suas composições eram feitas para piano, violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Com ritmo ousado, cheio de energia e rico em melodia, a canção emocionou o público presente no evento.


MAIS QUE IRMÃOS


Por influência da mãe, que tocava piano, e do avô materno que tocava violão, André e Cláudio Micheletti começaram na música ainda na infância, na Escola de Música Maestro Ernst Mahle (Espem), em São Paulo.


“Eu comecei aos nove anos de idade na iniciação musical na flauta doce e teoria musical. Um ano depois eu tive que escolher um instrumento musical e eu escolhi o violino”, diz Cláudio. Desde então, já são mais de trinta anos dedicados à música.


André, quatro anos mais velho, lembra que sua mãe foi quem tentou ensinar o filho a tocar piano. “Minha mãe tentou ensinar, mas não deu muito certo. Ela ensinou nossa irmã mais velha e ela sim toca piano até hoje, é musicista também”, afirma. Não obtendo sucesso com o piano, ele escolheu, aos oito anos, o violoncelo como seu instrumento musical e de trabalho.


Assim como André, Cláudio também estudou fora do país, na Liszt Ferenc Academy of Music, em Budapeste. “Viajei em turnê com a Orquestra e fiz aulas por lá. Depois de dois anos indo e voltando eu e minha esposa, na época namorada, conseguimos uma bolsa na Hungria, onde ficamos dois anos e meio, três anos”, conta. Ele explica que o impacto é muito grande e que se fixou mesmo em Budapeste. “É um pouco difícil se adaptar a nova vida, é muito diferente e não só a questão da linguagem, mas também da cultura”. Para ele, o fato de ele e a esposa terem ido para estudar e não para passear, facilitou bastante.


Por outro lado, André morou por duas vezes nos Estados Unidos, onde concluiu o duplo doutorado na Indiana University. “Ao todo foram oito anos fora, inclusive meu filho nasceu em Chicago”. Dentre os principais aprendizados ele afirma:


“Para mim o que ficou além de estudar e ter contato com grandes nomes foi a questão humana, em que eu cresci bastante. Eu, minha esposa e meu filho tivemos que nos sujeitar a algumas coisas que a gente não está acostumado aqui no Brasil, que a gente é privilegiado de certa forma.


No tempo em que moraram no país, eles receberam muita ajuda, entraram na fila para receber alimentos e o filho recebeu auxílio até os seis anos de idade, recebendo inclusive o leite para tomar. “São coisas que tiraram um pouco o orgulho que a gente tem”, explica.


Atualmente, os irmãos são professores. André é professor na USP de Ribeirão Preto, além de diretor artístico associado da Sinfônica de Piracicaba e Cláudio dá aulas na Faculdade Cantareira, também em São Paulo. Durante o Gramado In Concert, eles também deram aulas para os alunos selecionados. “Estamos nos adaptando (ao formato online), é diferente para nós, mas a qualidade dos materiais e a tecnologia disponibilizada pelo evento é muito boa. Ajuda na percepção que temos que ter para as aulas”, elogia Cláudio.


Durante suas trajetórias, foram poucas as vezes que os irmãos tiveram a oportunidade de tocarem juntos. O sentimento desse encontro acontecer no Gramado In Concert, é significativo para ambos:


“Eu sempre tenho ele como meu melhor amigo e senti muito a falta dele nesses tempos, né? Porque eu me fechei em casa, eu protegi e protegi os outros por muitos meses. Eu aceitei vir aqui com ele não somente, mas por ser meu irmão. É um dos maiores prazeres que eu tenho na vida, poder conviver com quem eu gosto”, se declara Cláudio.


André retribui o carinho do irmão: “Para mim também. Desde criança, eu troquei a fralda dele de certa forma e não estou brincando. Ele sempre foi meu amigão. Eu chamava ele de amigão. A gente aqui, mesmo sem poder se abraçar, estamos fazendo o que a gente mais gosta juntos. Para mim é muito gostoso estar com ele”. Os irmãos tocaram juntos Robert Schumann.


PARCERIA


Olinda Allessandrini e Paulo Bergmann não são irmãos, mas são grandes parceiros. O pianista natural de Bagé, começou a estudar música aos oito anos de idade. Sua mãe tocava acordeon e tentou ensinar para o filho, mas devido a estatura de criança, achou melhor que ele aprendesse piano. “Coincidentemente até hoje o instrumento de teclado que eu não toco é o acordeon”, diz. Sobre a escolha das músicas tocadas por ele e Olinda Allessandrini, ele afirma que foi de comum acordo, já que é a quarta vez que eles participam e tocam juntos no evento.


Ele afirma que o que quis transmitir ao público foi conforto. “Transmitir uma sensação boa para esse momento tão atípico. Que pelo menos elas tenham algum contato com algo cultural, algo positivo”. E espera: “Que os próximos dias continuem no mesmo nível”.


PRIMEIRA VEZ NO GRAMADO IN CONCERT


O clarinetista Ovanir Buosi começou sua trajetória na música de câmara desde muito jovem. “Faz parte do aprendizado. A partir do momento em que você toca com o seu colega ou com o seu professor em aula, já é música de câmara”. Ele acredita que este seja até mesmo um outro modo de fazer música.


Sobre a peça apresentada por ele, foi sugestão da colega, Olinda Allessandrini. “Fazia tempo que eu não tocava e aceitei de primeira. Você sempre acha algo novo e novas maneiras de interpretar”, diz. Ovanir explica ainda que esta é sua primeira vez em Gramado e participando do Gramado In Concert. “A sensação é inédita. Estar envolvido em uma cidade nova, com colegas novos. O friozinho está gostoso de enfrentar. Tem feito dias lindos e o céu é de um azul maravilhoso!”, afirma.


Ele aconselha que quem está começando a tocar clarinete ou estudar música, estude com amor. “Buscar encontrar peças e estudos que faça bem. Não tocar nada sem saber o que significa. Procurar escutar música e entender ela como algo não só mental, mas como uma forma de expressão” – finaliza.


Confira a programação:


Dia 7 de julho

Efemérides. Celebrações anos 21.

Nesta noite teremos uma seleção de compositores nascidos ou falecidos em finais 21, em uma proposta interessante e enriquecedora. Estarão nesta escolha os seguintes compositores: Saint-Saens, Piazzolla, Bottesini, Vivaldi e Mozart.


Dia 8 de julho

Caminhos da Música - Entre Cordas e Sopros

A música de câmara será a condutora neste passeio por diferentes paisagens musicais. Na escolha entre Cordas e Sopros, são priorizados os Sopros, seja em madeiras ou metais. Partindo da suavidade da flauta, o programa vai sendo enriquecido por diferentes timbres, e encerra com o empolgante quinteto de metais.


Dia 9 de julho

Música séria ou divertida? Um convite à emoção.

Este programa abre com Beethoven e Villa-Lobos, em obras musicais de períodos contrastantes, carregadas de história e de emoção. Em seguida, propostas musicais divertidas, em que o bom humor aquece o palco!


Dia 10 de julho

Concerto de encerramento.


Ingressos presenciais:

As trocas devem ser feitas diretamente na Rua São Pedro, 185, no bairro Centro, em Gramado. Das 9 horas (da manhã) às 17 horas (fechando ao meio dia), de segunda a sexta-feira. Mais informações no telefone 3286 7343 ou 3286 2002.


Assista o evento online e gratuitamente:

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Mais informações e programação completa: www.gramadoinconcert.com.br


O VII Gramado in Concert é apresentado pelo Ministério do Turismo e Secretaria de Estado da Cultura e conta com o patrocínio da Golden Propriedades de Lazer, Copatrocínio da Sulgás – Viva com essa energia. Apoio de Florestal Candies, Caracol Chocolates, DylNet Telecom e Cristais de Gramado. Apoio institucional da Orquestra Sinfônica de Gramado e Eurochestries. Receptivo Oficial da Gramado Receptivo. Cia Aérea Oficial da Azul. Agência de Viagens oficial da Azul Linhas Aéreas. Hospedagem Oficial da Laghetto Hotéis. Agente Cultural AM Produções. Promoção da Prefeitura de Gramado. Financiamento Pró-Cultura/RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Realização Gramadotur, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal, Pátria Amada Brasil.